terça-feira, 1 de dezembro de 2009


Falta-te o tempo. Para ti e para mim.


Porta que se abre, braços que se estendem.
Momentos fugazes de paixão, de luxúria, de amor.
Promessas trocadas.
Arrepio na pele. A hora está a chegar.
Abraços de alma.
Olhar que foge. Peito que aperta.
Porta que se fecha.
Lágrima que foge.
Pensamento que voa.


Falta-te o tempo. Para ti e para mim.

O vazio de não saber de ti.

A incerteza de saber se o teu pensamento voa para mim.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Lambe...


A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecid

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 17 de novembro de 2009

sem título


Acabou?...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Desalento


Às vezes oiço rir, é ’ma agonia
Queima-me a alma como estranha brasa
Tenho ódio à luz e tenho raiva ao dia
Que me põe n’alma o fogo que m’abrasa!

Tenho sede d’amar a humanidade…
Eu ando embriagada… entontecida…
O roxo de maus lábios é saudade
Duns beijos que me deram n’outra vida!

Eu não gosto do Sol, eu tenho medo
Que me vejam nos olhos o segredo
Que só saber chorar, de ser assim…

Gosto da noite, imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!

Florbela Espanca - Trocando olhares

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

;)


Há homens assim. Que nos entram pela vida adentro sem pedir "com licença" ou "desculpe qualquer coisinha". Que nos descobrem e tocam no nosso eu mais íntimo, quando pensávamos que já não havia mais nada.

Há homens assim. Que nos deixam horas a olhar para o vazio, sem saber o que pensar e dizer, quanto mais o que escrever. Que nos criam inéditos pudores em revelar o que vivemos, o que sentimos e o que fizemos.

Há homens assim. Únicos e diferentes e no fundo, tão normais dentro da desejada normalidade.

Há homens assim. Que não me aborrecem, que escutam e que falam, que aprendem e que ensinam, que dão e que recebem. Que me fascinam. E que até sabem conjugar os verbos de forma honesta.

E porque há homens assim, seria justo que um dia eu me cruzasse com um.

terça-feira, 20 de outubro de 2009


Das tuas palavras lidas
Faço imagens vividas

Dos momentos recordados,
Quase pequenos pecados

Faço uso da imaginação
E como não te tenho, tendo-te

Satisfaço a minha fome
Com as pontas da minha mão

segunda-feira, 12 de outubro de 2009


Disse-te que não gostava de espelhos.

Mas não consegui resistir a olha-lo. Ainda bem que o fiz.

A imagem que me devolveu foi a da completa felicidade.

Eu em ti, tu em mim. A sentir em cada gesto teu o quanto me querias.

Obrigado.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

GiGi


Mais uma noite que começava como outra qualquer. Amigos, copos... Tu deste o mote: "Vamos á Gigi?" Lançaste-me um olhar estranho, que na altura não descortinei.

Chegados á Gigi, (para quem não sabe é, simplesmente, a melhor festa do Porto, onde, de copo na mão, nos perdemos ao som da música, movendo o corpo ao ritmo da massa humana que nos envolve)pdirectos ao bar. Uma Cuba Libre, que eu sou doida por rum.

E tu ali, sempre por perto. Tu, que és usualmente o caçador, estavas, inexplicavelmente na pele de presa. Melhor, lobo na pele de carneiro.

"Vamos dançar?" - sugeri eu.
"Siga." - respondeste tu.

E embalados por uma qualquer batida muito "eighties" dançamos. Uma dança que depressa se tornou numa espécie de provocação mútua, com mãos que acariciavam zonas interditas a bons amigos.

Percebi que estavas a gostar, aliás sentia-se. E eu também. Tinha uma pequena nascente no meio das pernas. Entre um passo de dança e outro, olhamo-nos nos olhos e, sem nada dizer, seguimos juntos na mesma direcção, o único local possível naquela casa para darmos asas ao desejo, a casa de banho.

Despreocupadamente entramos, sem ligar a quem lá estava, trocando beijos mais que molhados. Abrimos a porta de um dos cubículos e entramos. Sem perder tempo despi-te a camisola e tu fizeste-me o mesmo. Encostaste-me contra a porta e insinuaste-te bem no meu âmago. O objectivo era claro para os dois: puro e duro. Sem aquecimento. Entrar a matar.

Viraste-me de costas para ti, encostada á porta. Baixei as calças e tu as tuas. Pûs-me a jeito e penetraste-me. De uma só vez. Bem no fundo de mim. Gemi de puro prazer.

Arqueei mais as costas e continuamos nessa viagem louca, acelerando o ritmo, sentindo-te bem dentro de mim, enquanto me acariciavas os seios e me mordias o pescoço.

Perdemos a noção do tempo, da realidade, do sítio onde estávamos e deixamo-nos levar. Gemíamos os dois ao mesmo ritmo, segundo o compasso da tua batuta.

O êxtase aproximava-se. Aceleramos mais um pouco e viemo-nos em conjunto. Exactamente ao mesmo tempo. Viraste a minha cara para ti e beijaste-me com um beijo que sabia a sal.

Compusemo-nos e saímos. Tínhamos um wc cheio de homens e mulheres que nos aplaudiram. Envergonhados, sorrimos cúmplices.

Subimos as escadas e voltamos á festa. Mais um copo para matar esta sede, que a outra já estava saciada.

Acabamos a noite a tomar o pequeno - almoço perdidos pelo Porto.

Nunca mais falamos desta noite. Especial demais para ser falada. Apenas para ser revivida e sonhada, sempre que nos convier,

Conversa

"E pões. E de que maneira! E queria-te agora...aqui. Sentir-te"

"E eu queria estar aí. Sentir-te. Prender-me nos teus braços."

"Enroscados."

"Pele na pele."

"Cheiros nossos."

"Olhares nossos."

"Beijos que deslizam."

"Mãos que procuram."

"Dedos que se molham."

"Corações que aceleram."

"Gemidos soltos."

"Línguas que se enrolam."

"Coxas que se roçam."

"Mãos que apalpam."

"Desço buscando-te."

"Guio-te com as minhas mãos. Preciso que me encontres."

"Língua minha num trilho húmido."

"Que se humedece mais com a tua passagem."

"Saboreando-te."

"Estremeço de prazer."

"Agora desço eu em ti..."

"Meus dedos nos teus cabelos."

"Encontro-te. A minha língua desliza e sinto-te latejar."

"Arqueio-me."

"Gostar ao teu gosto...escorrendo."

"Provar-me, provando-te."

"A dois gemermos...vindo-nos."

"Olhando-nos olhos nos olhos."

"Amo-te."

"Eu a ti. E arrepio-me de cada vez que mo dizes."

Clandestino

domingo, 4 de outubro de 2009

...



Frémito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doido anseio dos meus braços a abraçar-te,

Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!

E vejo-te tão longe! Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas ...

E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas ...

sábado, 3 de outubro de 2009


Queria que sentisses da mesma forma
É tão forte este querer.
Quase me derreto em tons laranja
Por ti.
Descendo em rodopio
Até à luz
Que não sei se existirá.

em ti me perco...agora...
















Encontra-me.

Espero por ti

A Primeira Vez


O meu coração parecia querer sair do peito enquanto conduzia. Ia, finalmente, conhecer-te, tocar-te, saber-te real. As palavras que me disseste "Tens de ser tu a beijar-me, senão ficamos os dois como baratas tontas, sem saber o que fazer." ecoavam na cabeça. Saí mais cedo com o objectivo de passar á porta primeiro, tentar saber quem eras no meio das outras pessoas. Estacionei o carro. Estava escuro e frio naquela noite. Ligaste-me e tentaste explicar-me onde estavas. Vi-te... O coração quase me saía pela boca. Saí do carro lentamente enquanto te aproximavas. Estavas ali, ao alcance da minha mão. Finalmente frente-a-frente. Olhei-te nos olhos e dei-te um beijo envergonhado. Sorriste e até hoje ninguém mais me sorriu como tu. (lembras-te?...)