
Mais uma noite que começava como outra qualquer. Amigos, copos... Tu deste o mote: "Vamos á Gigi?" Lançaste-me um olhar estranho, que na altura não descortinei.
Chegados á Gigi, (para quem não sabe é, simplesmente, a melhor festa do Porto, onde, de copo na mão, nos perdemos ao som da música, movendo o corpo ao ritmo da massa humana que nos envolve)pdirectos ao bar. Uma Cuba Libre, que eu sou doida por rum.
E tu ali, sempre por perto. Tu, que és usualmente o caçador, estavas, inexplicavelmente na pele de presa. Melhor, lobo na pele de carneiro.
"Vamos dançar?" - sugeri eu.
"Siga." - respondeste tu.
E embalados por uma qualquer batida muito "eighties" dançamos. Uma dança que depressa se tornou numa espécie de provocação mútua, com mãos que acariciavam zonas interditas a bons amigos.
Percebi que estavas a gostar, aliás sentia-se. E eu também. Tinha uma pequena nascente no meio das pernas. Entre um passo de dança e outro, olhamo-nos nos olhos e, sem nada dizer, seguimos juntos na mesma direcção, o único local possível naquela casa para darmos asas ao desejo, a casa de banho.
Despreocupadamente entramos, sem ligar a quem lá estava, trocando beijos mais que molhados. Abrimos a porta de um dos cubículos e entramos. Sem perder tempo despi-te a camisola e tu fizeste-me o mesmo. Encostaste-me contra a porta e insinuaste-te bem no meu âmago. O objectivo era claro para os dois: puro e duro. Sem aquecimento. Entrar a matar.
Viraste-me de costas para ti, encostada á porta. Baixei as calças e tu as tuas. Pûs-me a jeito e penetraste-me. De uma só vez. Bem no fundo de mim. Gemi de puro prazer.
Arqueei mais as costas e continuamos nessa viagem louca, acelerando o ritmo, sentindo-te bem dentro de mim, enquanto me acariciavas os seios e me mordias o pescoço.
Perdemos a noção do tempo, da realidade, do sítio onde estávamos e deixamo-nos levar. Gemíamos os dois ao mesmo ritmo, segundo o compasso da tua batuta.
O êxtase aproximava-se. Aceleramos mais um pouco e viemo-nos em conjunto. Exactamente ao mesmo tempo. Viraste a minha cara para ti e beijaste-me com um beijo que sabia a sal.
Compusemo-nos e saímos. Tínhamos um wc cheio de homens e mulheres que nos aplaudiram. Envergonhados, sorrimos cúmplices.
Subimos as escadas e voltamos á festa. Mais um copo para matar esta sede, que a outra já estava saciada.
Acabamos a noite a tomar o pequeno - almoço perdidos pelo Porto.
Nunca mais falamos desta noite. Especial demais para ser falada. Apenas para ser revivida e sonhada, sempre que nos convier,